Emprego formal no interior permanece escasso, segundo dados do Caged

Jornal do Commercio

A retomada da criação de empregos com carteira assinada no Amazonas, registrada pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) em fevereiro, não foi acompanhada por todos os 61 municípios do Estado. Uma quantidade significativa de localidades distantes da capital, ou mesmo dentro da RMM (Região Metropolitana de Manaus), não conseguiu fechar o período com alta.

Dez municípios colheram crescimento em todos os cenários – Benjamin Constant, Boca do Acre, Fonte Boa, Itacoatiara, Manacapuru, Manaus, Manicoré, Nova Olinda do Norte, São Gabriel da Cachoeira, Tabatinga. Em contrapartida, quatro amargaram números negativos em todos os confrontos de períodos – Careiro, Coari, Eirunepé e Iranduba. Nas 47 localidades restantes, os resultados foram variados, conforme o ângulo de análise.

Em 12 meses, um total de seis localidades aparecem com variação percentual no vermelho: Careiro (-5,17%), Coari (-4,29%), Eirunepé (-2,59%), Iranduba (-13,78%), Maués (-1,44%), Tefé (-2,09%). São Paulo de Olivença foi o único a pontuar estabilidade nesta lista, assim como em todo o levantamento do Caged. Foi eliminado um total de 451 postos de trabalho, nestes casos.

No ano, o número de municípios que apresentaram variação negativa foi maior e chegou a dez: Autazes (-1,21%), Borba (-0,63%), Careiro (-8,33%), Coari (-1,11%), Eirunepé (-0,44%), Humaitá (-0,21%), Iranduba (-3,84%), Lábrea (-0,93%), Parintins (-0,11%) e São Paulo de Olivença (-1,56%). A quantidade de vagas cortadas, no entanto, foi menor nesse cenário e não passou de 131.

Entre janeiro e fevereiro, oito municípios apresentaram taxas negativas de criação de empregos celetistas: Autazes (-0,61%), Borba (-1,25%), Careiro (-3,93%), Coari (-1,04%), Eirunepé (-0,44%), Iranduba (-0,21%), Lábrea (-1,08%) e São Paulo de Olivença (-1,56%). Um total de 40 vagas foi extinta na soma das ocorrências.

Em números gerais, o saldo do Amazonas avançou 0,34% em relação a janeiro, impulsionado pela geração de 1.489 empregos. Em 12 meses, as contratações subiram 1,72% e superaram as demissões em 7.449 vagas. No acumulado, o número de novos celetistas cresceu 0,29%, totalizando 1.280 trabalhadores.

Produção familiar

Vale notar que agropecuária e administração pública, justamente as atividades mais frequentes no interior, estiveram entre os setores econômicos com piores números no Caged, no primeiro bimestre de 2019. O primeiro foi responsável pelo corte de 480 postos de trabalho neste ano; o segundo eliminou mais 26 vagas.

De acordo com o presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, os municípios que registraram desempenho negativo na sondagem, “a rigor”, têm produção agrícola, em especial de mandioca e fruticultura. Alguns, contam ainda com pecuária bovina e bubalina.

O dirigente destaca, contudo, que os números de emprego formal não são uma variável determinante no contexto da agropecuária amazonense, uma vez que ainda predomina no interior a produção familiar. Lourenço ressalta que os números poderiam ser melhores, dependendo da vontade do poder público.

“Os números mostram, sobretudo, a necessidade de que as políticas públicas destinadas ao setor rural sejam fortalecidas. O setor primário representa a principal atividade econômica no interior, com potencial de geração de emprego e renda para a população ribeirinha”, asseverou.

“Caso a caso”

A primeira reação do presidente da AAM (Associação Amazonense dos Municípios), Andreson Cavalcante, foi estranhar os números do Caged e considerá-los “sazonais” e “relativos”. Após uma análise mais detalhada dos dados, e sem mencionar exemplos, o dirigente disse que é necessário verificar a situação dos municípios caso a caso.

“A redução no número de vagas na administração pública pode ser relativa a postos que ficaram vagos, em virtude de aposentadoria do servidor, pedido de exoneração, demissão propriamente dita, ou até mesmo repactuação de contratos, que possam ter levado [os números] a chegar a esse desempenho”, listou.

Para evitar situações semelhantes no futuro, Andreson Cavalcante defende a diversificação das atividades econômicas e o investimento em outras fontes geradoras de riquezas no Estado, preferencialmente no interior, e com direcionamento para as vocações de cada município.

“Nosso interior tem um potencial muito grande em vários segmentos, como turismo, setor primário, exploração mineral e biotecnologia. Por isso, defendemos a criação da nova matriz econômica no interior que fomente a geração de emprego e renda em nosso estado, respeitando as peculiaridades de cada região”, concluiu.

Clipping: seplancti.am.gov.br

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