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Governador Wilson Lima inaugura barco de pesquisa e lança uma das maiores ações de monitoramento ambiental do Brasil

Embarcação vai integrar o Programa de Monitoramento de Água, Ar e Solos do Estado do Amazonas

O governador Wilson Lima inaugurou, nesta terça-feira (15/03), o barco de pesquisa “Roberto dos Santos Vieira” e lançou uma das maiores ações de monitoramento ambiental do Brasil, como parte do Programa de Monitoramento de Água, Ar e Solos do Estado do Amazonas (ProQAS/AM). A inauguração aconteceu no Estaleiro Juruá, em Iranduba, região metropolitana de Manaus.

“Esse barco será fundamental na questão ambiental, para dizer que caminhos temos que seguir e quais políticas públicas temos que implementar para melhorar a proteção ao meio ambiente. Mas ele vai além porque perpassa por questões que são fundamentais para a nossa sobrevivência: questões econômicas, sociais e de saúde. É importante saber a qualidade da água que tem nos rios”, disse o governador.

Acompanharam a inauguração do barco os prefeitos de Iranduba, Augusto Ferraz; de Novo Airão, Frederico Jr.; de Anamã, Francisco Bastos; de Caapiranga, Tico Bras; e de Urucurituba, José Claudenor Pontes, conhecido como Sabugo; além do ex-prefeito de Nova Olinda, Sabá Maciel, e o deputado estadual Angelus Figueira.

Também estavam persentes o presidente do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), Juliano Valente, o secretário estadual de Meio Ambiente, Eduardo Taveira, o diretor executivo de Operações e Comercial do grupo Atem, Fernando Aguiar, e o líder do grupo de pesquisa, professor doutor Sergio Duvoisin Junior.

Por meio de Acordo de Cooperação Técnica (ACT) com o Ipaam, o barco será cedido à Universidade do Estado do Amazonas (UEA) para o trabalho do ProQAS/AM de monitoramento da qualidade das águas dos rios do Amazonas. A embarcação foi doada pela Distribuidora Atem e conta com quatro laboratórios e demais espaços para o trabalho de pesquisadores.

Monitoramento – A dinâmica de monitoramento pretende averiguar as variações que ocorrem nos efeitos físicos, químicos e biológicos da água em decorrência das atividades humanas e de possíveis fenômenos naturais, como as chuvas e o regime de estiagem sazonal, característicos da região amazônica.

Em fase inicial, a embarcação irá percorrer toda orla da capital, com foco nos corpos d’água da região metropolitana (bacia hidrográfica dos rios Tarumã-Açú, Tarumã Mirim, São Raimundo, Educandos e Puraquequara) e futuramente será estendido aos demais rios do estado. O cronograma prevê quatro expedições anuais, duas na cheia e duas na vazante.

De acordo com Juliano Valente, um dos maiores méritos do programa será proporcionar informações, de monitoramento da qualidade da água, solo e ar, mais atualizadas para as resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).

“Hoje, nós temos uma divergência grande dos parâmetros que são das resoluções do Conama, para as características reais das águas amazônicas. As pesquisas desenvolvidas no barco ajudarão a diminuir essas divergências”, disse Valente, ao ressaltar que o barco vai gerar informações também para a Gerência de Recursos Hídricos do Ipaam e subsidiar ações de contraprova nas atividades de autuação ambiental.

A embarcação — O barco foi construído pela DMN Estaleiro da Amazônia, pertencente ao Grupo Atem, e foi orçado em R$ 3,5 milhões, entre a confecção e aquisição de equipamentos laboratoriais. Houve ainda investimentos a partir de outros programas de fomento. A guarda da embarcação será feita pela Atem por um período de 5 anos.

“Nós somamos forças e conhecimento quando promovemos uma iniciativa dessa natureza. A Atem é um grupo que é da região, que atua na região, estabeleceu-se aqui, então tem todo interesse em apoiar projetos de preservação e proteção nesta área”, disse o diretor executivo de Operações e Comercial do grupo Atem, Fernando Aguiar.

No total, o barco tem 28 metros compostos por quatro laboratórios e cinco camarotes dispostos, com capacidade para atender 10 pesquisadores, incluindo seis marinheiros, uma sala de reuniões e uma cozinha, além de um refeitório, uma lavanderia, sala de reuniões e palestras e uma ponte de comando.

Os laboratórios são divididos por metodologias de pesquisas, entre analítica e via úmida e microbiologia e prospecção, e contam com equipamentos como Espectrofotômetros na faixa do ultravioleta e visível, medidores de demanda bioquímica de oxigênio, nitrogênio (Kjeldhal), Estufas de secagem, microbiológica e tipo BOD, entre outros, que foram adquiridos por meio de acordo de financiamento entre Ipaam e UEA para a licitação dos itens, assinado durante a 44ª reunião ordinária do Conselho Estadual de Recursos Hídricos, em agosto de 2020.

Parceria e pesquisas — O Acordo de Cooperação Técnica entre o Ipaam e a UEA, assinado em 2021, definiu o apoio do órgão para o ProQAS/AM, grupo de pesquisa “Química Aplicada à Tecnologia” da Escola Superior de Tecnologia (EST) da UEA, com a disponibilização da embarcação para as atividades e participação de técnicos do Ipaam em ações de monitoramento e análises laboratoriais.

O grupo desenvolve pesquisas desde 2008, e possui ampla experiência no campo de monitoramento ambiental, com vários projetos concluídos ou em execução nesta área do conhecimento. Em torno de 30 estudantes da EST estão participando do programa, além de nove pesquisadores doutores das áreas da Física, Química, Geologia, Biotecnologia, Meteorologia, entre outros, sendo coordenados pelo professor doutor Sergio Duvoisin Junior, líder do grupo de pesquisa.

A dinâmica de monitoramento pretende averiguar as variações que ocorrem nos efeitos físicos, químicos e biológicos da água em decorrência das atividades humanas e de possíveis fenômenos naturais, como as chuvas e o regime de estiagem sazonal, característicos da região amazônica.

Quem foi Roberto dos Santos Vieira

O barco de pesquisas do Programa de Monitoramento de Água, Ar e Solos do Estado do Amazonas ganhou o nome de Professor Roberto dos Santos Vieira. Trata-se de uma homenagem a um dos primeiros idealizadores do primeiro curso de Pós-Graduação em Direito Ambiental da Universidade Federal do Amazonas. Ex-reitor da Ufam, Roberto Vieira era amazonense e morreu no dia 05 de janeiro de 2000.

FOTO: Bruno Zanardo/Secom