Polo de Duas Rodas em Manaus apresenta recuperação após crise

Jornal Em Tempo

Durante muito tempo, o Polo de Duas Rodas, responsável pela produção de motocicletas, ciclomotores, motonetas, bicicletas e similares, foi o principais setor do Polo Industrial de Manaus (PIM). Mas com o passar dos anos, perdeu força na produção e no faturamento. Mas, nunca o prestígio.

De acordo com dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motoristas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), em 2008 o Amazonas tinha uma frota circulante de veículos de duas rodas a motor de 11.676. Dez anos mais tarde, em 2018, já com o cenário da crise econômica instalada, o número já era de 318.491.

Existem mais de 40 empresas atuando no Polo de Duas Rodas, seja apenas fornecendo peças, ou produzindo as motocicletas e bicicletas. Porém esse setor sentiu na pele a crise econômica dos últimos anos, incluindo redução de quadro de funcionários.

Conforme dados fornecidos pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), em 2013 o Polo de Duas Rodas gerava mais de 18 mil empregos, mas o número foi caindo com o passar dos anos. Em 2015, eram 16.645. Dois anos depois, o número caiu para 12.551. Ano passado, ela recuperou e subiu os números fechando em 14.347 somando a mão de obra efetiva, a temporária e a terceirizada.

Em 2013, o subsetor era o segundo em nível de faturamento responsável por 16,71% do total com aproximadamente 14 bilhões de reais, produzindo 1.696.799 unidades até o final deste ano. Estava atrás apenas do subsetor de eletroeletrônico que era responsável por 33,46% do faturamento total.

“O polo de duas rodas passou por turbulências ao longo dos últimos anos, principalmente a crise econômica brasileira concentrada nos anos de 2015 e 2016, tendo enfrentado problemas de acúmulo de produtos nos estoques, falta de oferta de crédito por parte dos bancos e agentes financeiros para os consumidores (cerca de 90% dos compradores de motos e bicicletas são das classes C, D e E), juros altos, desemprego da população, entre outros problemas”, explica o economista e advogado Farid Mendonça Júnior.

Fundo do poço em 2016

De acordo com ele, o ‘fundo do poço do faturamento’ foi registrado no ano de 2016 com 10 bilhões e meio de reais. O faturamento melhorou no ano passado. De janeiro a novembro de 2018, o faturamento foi de cerca de 12 bilhões de reais, com 14,04%. Os números colhidos no ano passado deram ao setor esperança de voltar aos tempos áureos, mas ainda tem muito a se fazer.

“Evidente que ao se comparar os dados de 2013 com os de 2018, percebe-se que o faturamento de 2013 ainda não foi alcançado, o número de trabalhadores é cerca de quase 4.500 mil a menos e o subsetor perdeu o posto de segundo colocado em nível de faturamento para o de informática, ficando com a terceira posição. Entretanto, a recuperação já mostra seus sinais”, fala o economista Farid Mendonça Júnior.

De acordo com os dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motoristas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), o polo de duas rodas registrou no mês de janeiro de 20119 uma produção de 84.106 motocicletas significando um aumento de 3,4% se comparado com o mesmo período do ano passado. Se compararmos o mês de dezembro de 2018 e janeiro de 2019, a produção cresceu cerca de 24%.

Apesar dos números estarem mostrando uma recuperação no setor, para o economista Farid Mendonça Júnior, recuperar os números que o segmento possuía, em 2013, demandará bastante trabalho e adequação às novas tendências da indústria.

“Recuperar os níveis de 2013 será uma missão árdua, até mesmo porque a economia ainda não está aquecida e a tendência das fábricas é o caminho da automação e da digitalização em direção aos conceitos de Indústria 4.0, ou seja, uma ênfase no capital e não na mão de obra”, frisa o profissional”, frisa o profissional.

Ainda é cedo

Para a economista Bianca Mourão, o polo de duas rodas é rentável para o estado desde que possua incentivos fiscais pois há muito investimentos na área de Pesquisa e Desenvolvimento buscando melhorias no produto como itens de segurança e designer.

“Os incentivos servem para amenizar os custos, é claro que as empresas têm um bom retorno ou não estariam aqui, mas esse retorno é reinvestido todo na melhoria dos produtos. O setor vem amargando mal desempenho desde 2009, teve uma leve recuperação e em seguida nova crise a partir de 2014, mas é um setor extremamente importante para a nossa economia não só pelas montadoras em si, como Honda e Yamaha, mas pela cadeia de componentistas que estão instaladas na ZFM”, reitera a economista.

De acordo com Bianca Mourão, ainda é cedo para se desenhar um futuro para o polo de duas rodas do PIM pois tudo dependerá das políticas econômicas do governo Bolsonaro. “Se continuarem incentivando as indústrias de Quatro rodas instaladas no Sudeste, como nos últimos governos esse setor continuará com dificuldades para se recuperar e fortalecer”, alerta Bianca Mourão.

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